Um lugar seguro


A ideia é ótima! Um banco, um lugar onde você pode ir, para que assim alguém possa te ver e perceber que você precisa de uma atenção especial, de alguém para conversar, uma companhia para brincar.
Observei esse banco enquanto meus meninos brincavam no parquinho de uma escola perto de casa. Não precisou muito para eu imaginar e pensar em quantas crianças já sentaram ali. Será que alguém foi até elas? Será que elas encontraram o que precisavam? Alguém real, uma pessoa, um amigo, uma conversa, um sorriso. Não sei. Talvez sim, espero realmente que sim, mas o fato é que esse banco me fez refletir sobre algo que me incomoda há algum tempo. Quando foi que perdemos nossa sensibilidade de perceber e ver os outros ao nosso redor?

Na verdade, creio que nossa natureza não é inclinada ao “outro”, ao nosso próximo, somos por natureza egoístas e centrados em nós mesmos. Dura realidade, mas em um mundo cada vez mais individualista e materialista, não é difícil entender a necessidade de um banco como esse.

Duas perguntas ficaram incomodando meu coração, enquanto eu olhava aquele banco. Será que eu, minha família e minha casa tem sido um “lugar” onde alguém pode se achegar quando se sente sozinho, quando precisa conversar, quando precisa de companhia? Qual é o lugar ou pessoa que eu procuro quando me sinto sozinha ou quando preciso de ajuda (todos nós precisamos em algum momento!)?

Difícil né? Jesus nos mostrou como perceber as pessoas ao nosso redor quando certa vez caminhava em meio à uma multidão com seus discípulos. Em meio àquela multidão alguém toca em Jesus, uma mulher em necessidade, desesperada por ajuda. Jesus imediatamente pergunta “Quem me tocou?”. Os discípulos olham para Jesus e respondem espantados “Não vê a multidão ao seu redor? Ainda assim pergunta quem te tocou?”. Jesus tenta mais uma vez, não porque Ele não sabia a resposta, mas para que todos percebessem que Ele vê, não somente uma multidão, mas individualmente. Assim, todos param e também conseguem perceber a mulher, conseguem “ver” a necessidade de alguém.

A dura realidade é que na maioria das vezes não vemos, não percebemos ou até mesmo não nos importamos com as pessoas à nossa volta. Estamos ocupados demais, distraídos demais. Por isso precisamos de bancos como esse, espalhados pelas escolas e praças, talvez até mesmo dentro das nossas casas. Muitas vezes estamos juntos, mas solitários. Estamos conectados, mas somente superficialmente. Não temos ninguém que nos perceba, que se importe realmente com nossas necessidades, sejam elas físicas, emocionais ou espirituais.

Precisamos de ajuda. Precisamos ajudar uns aos outros. Precisamos nos distrair menos, nos ocupar menos com a superficialidade e pagar o preço de parar e perceber realmente que alguém está nos tocando. Jesus nos mostrou para onde devemos correr, para Ele mesmo. Ele nos vê individualmente, Ele conhece quem somos e sabe exatamente do que precisamos. Precisamos estar conectados com Ele para assim percebermos nossas próprias necessidades e também para que possamos ter a sensibilidade de perceber o outro ao nosso redor. Ele nos capacita a sentir o toque. Ele está sempre disponível para o nosso toque.

O banco da amizade ajuda sim. Estamos tão insensíveis que iniciativas como essa são importantes para nós, mas não precisamos esperar ver alguém sentado em um banco da amizade, podemos começar onde estamos, olhando para o lado, com intenção e com um coração disposto a abraçar e acolher. Podemos começar com um pergunta, com um convite para um café, com um abraço, com um olhar que não se distrai facilmente.
Fácil? Com certeza não. Mas precisamos começar.

Os bancos não falam, não abraçam, não escutam, não olham no olho, nós sim! Nós podemos fazer tudo isso e muito mais, mas precisamos de um coração disposto e conectado em Jesus, caso contrário, dificilmente veremos, dificilmente perceberemos. Que possamos ser esse lugar, onde as pessoas possam se achegar, assim como Jesus é para nós, um lugar seguro e acolhedor, onde somos realmente vistos e amados.
 
Tatiana Hume

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